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Os resgates não podem parar

  • Foto do escritor: alocoromandelnoticias
    alocoromandelnoticias
  • 5 de out. de 2021
  • 4 min de leitura

Atualizado: 26 de out. de 2021

Associação de Proteção aos Animais de Coromandel tem alta demanda e mantém suas atividades sob limite de orçamento

Por Kauê Altrão

Stéphany de Morais visita uma vez por dia, após seu serviço, pontos de alimentação pela cidade levando ração e água para os animais. Foto: Stéphany de Morais.


Na cidade de Coromandel, a Associação de Proteção aos Animais (APA) vem atuando, nos últimos meses, sob limite de orçamento devido à alta demanda de resgates de animais em situação de rua. A APA visa garantir os cuidados necessários para uma qualidade de vida significativa aos animais de rua, em paralelo às ações municipais.


Sobre a APA

Imagem: reprodução Instagram

As associações de proteção aos animais (APA) não possuem fins lucrativos. Nesse sentido, contam com o apoio de pessoas com um único objetivo em comum - oferecer cuidados aos animais de rua.


A APA de Coromandel foi fundada em 2019, fruto de esforços de protetores independentes que viram a necessidade de um órgão regulamentado para melhorar o trabalho de proteção ao animal no município.


Estão constantemente em linha de frente, providenciando os demais zelos que os animais de rua em situação de urgência e emergência, risco e abandono necessitam. Atualmente, contam com 10 membros, visam o bem-estar dos animais, de modo a prevenir maus tratos e também, para que cada vez menos se tenha animais à mercê do abandono, do frio e da fome.


A associação atua provendo o máximo possível de cuidados, alimentos e remédios; realizando castrações e também orientando a população dos devidos direitos dos animais e cautelas para com os bichos. Garantindo que as leis de proteção, em todos os âmbitos federais, estaduais e municipais, sejam cumpridas.


Os animais resgatados

Dos casos compartilhadas pela associação em suas redes sociais, alguns se caracterizam pela procura de auxílio, como suprimentos alimentícios, remédios e outros insumos necessários para os cuidados. Outros são marcados pela procura de lares para filhotes de cães e gatos, animais de pequeno e grande porte.


Mas, alguns vãos além e chegam a bárbaras situações de feridas abertas e infestadas de larvas (bicheira), problemas de saúde e doenças agravadas pela falta de acompanhamento veterinário, atropelamentos e até agressões a mão armada, como o último episódio da cadelinha baleada no distrito de Mateiro.


As dificuldades

A complexidade de alguns casos que demandam assistência veterinária geram altos custos, uma vez que a quantidade de atendimentos a longo prazo acarreta, quase sempre, pendências financeiras por assistência em pet shops. No último resgate (30), que veio a público, o saldo devedor se encontrava em mais de R$3.000,00. Para a ação que sobrevive de doações, parcerias e rifas beneficentes, a dívida se torna um fator de dificuldade para o grupo atuar.


Apesar do suporte que as empresas de assistência veterinária providenciam, em alguns momentos, o atendimento é suspenso para evitar que a própria associação gere um acumulo de dívidas que possam incorrer em problemas financeiros para a própria associação.


De acordo com Angela Beatriz, Secretária Geral da Associação, um dos maiores problemas atualmente é a captação de recursos para pagamento dos resgates.

"Tem mês que a gente só pega caso difícil, de tratamento longo, com necessidade de procedimento cirúrgico e que acaba sendo mais caro. Então, a média de gastos é de uns R$3.000 a R$5.000 reais por mês, mas já teve mês, por exemplo, da gente gastar R$11.000", comenta.

Outro fator que dificulta o trabalho da associação é por não contarem com um estabelecimento fixo próprio para realizar suas atividades, o que faz com que haja mais gastos e também, infelizmente, o retorno dos animais acolhidos e tratados para as ruas.

"A gente precisa ter esse espaço pra colocar os animais que estão doentes, os animais que estão feridos, que devem trocar os curativos todos os dias e para cuidar dos animais de procedimentos pós-cirúrgicos", diz.

No dia a dia

Rotineiramente, Stéphany de Morais, atual Presidente da Associação, percorre alguns pontos da cidade após o trabalho levando ração e água para cachorros.

"Só perto da cerâmica, cuidamos de uns 10 cachorros. Vamos também em outros pontos levar alimento, como próximo ao Supermercado ABC e perto da Secretaria de Saúde", fala. "Até minha mãe ajuda, coloca ração na porta da loja dela, na rodoviária e na praça Abel Ferreira, mas não conseguimos ir a bairros afastados", conclui.

De acordo com Angela, a média de gastos mensais com ração ficam em torno de 30 a 50 sacos por mês. Felizmente, uma parte é arrecadada por doações e também em parcerias com empresas agrícolas, que como meio de ajudar, fazem um desconto no preço final.


Da mesma forma, essas empresas também providenciam doações de medicamentos perto da data de validade, que não foram vendidos. Também, muitas pessoas contribuem com medicamentos e curativos parados em casa, que não foram totalmente utilizados no tratamento veterinário de seus pets.

Geralmente, os cães de grande porte são os mais difíceis de serem adotados. Foto: Stéphany de Morais.


Cotidianamente, a atuação da associação concentra-se nos cuidados básicos aos animais. Mas, em alguns dias, surgem ocorrências que demandam mais atenção.

"A gente se depara bastante com animais desnutridos, animais que estão apanhando e com gente que realmente não cuida. E em questão de animais de rua, nos deparamos com muita frequência com atropelamentos. Animais que foram atropelados e negligenciados, em que o autor do atropelamento não prestou socorro" relata, Angela.

Sempre que uma denúncia de maus tratos é feita, a polícia é acionada e acompanha os membros da associação até o local da denúncia para averiguar se é verídico ou não e, se for necessário, abrir um boletim de ocorrência e representa-lo junto a delegacia de polícia.


Como ajudar

A Associação de Proteção aos Animais de Coromandel ainda não conta com um programa de voluntários, mas você pode contribuir com doações para que a APA continue com suas atividades. Qualquer valor financeiro pode ser enviado pelo PIX: 139.429.936.27.


Você também pode doar medicamentos e insumos para curativos, como esparadrapos, gázeas, algodão, faixas e também qualquer quantidade de ração.

"Se você se depara com um cachorro que você pegou na miséria e tratou, ele te reconhece, você não tem ideia desse reconhecimento. A gente faz esse trabalho pelos bichos, é pelos animais, por àqueles que não conseguem conversar, àqueles que não tem autonomia, para tira-los das situações que são colocados", comenta Angela.

2 comentários


angélica neiva
angélica neiva
27 de out. de 2021

Achei esse post extremamente sensível e adorável. Adotar é extremamente importante. Adorei o tema, adorei a abordagem. Parabéns, amigo! Me emocionei bastante 😍

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Ana Paula Teixeira
Ana Paula Teixeira
26 de out. de 2021

O conteúdo desta matéria está excepcional! Parabéns à Angela e Stéphany, pelo excelente trabalho solidário, e ao Kauê Altrão, pela primorosa divulgação. Acho importante criar hastags para essa matéria e marcá-la em perfis de outras sociedades protetoras dos animais. Na foto, esses são meus, e eu sei como é difícil um animal querer muito muito um pouquinho de ração. Claro que esse caso é ilustrativo e está fora do contexto, porque a fêmea filhote (Daruska) estava alimentada, mas, peralta que era, enfrentava o irmaozão (Lobo) para conseguir um pestisco. Postei aqui só pra descontrair. E vocês aí? Não pensam na barriguinha dos cãezinhos roncando?? Vou fazer meu pix.


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Alô Coromandel, um projeto desenvolvido para as disciplinas de Projeto Interdisciplinar em Comunicação II e Técnicas de Reportagem, Entrevista e Redação Jornalística - Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

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